segunda-feira, 10 de março de 2008

Herzog, simulacro e pipoca: a descoberta da diversão

Achei que, quanto mais velha ficasse, mais conservadora e saudosista seria. Surpreendo-me a cada dia. Estou adorando produções pós-modernas.

Estou com Susan Sontag, em “O Amante do Vulcão” (The Volcano Lover). Colocando personagens reais em situações fictícias, deparo-me com Goethe em Nápoles em jantares que nunca existiram e construo características fantasiosas de personalidades históricas. Continuo a achar isso péssimo para a historiografia, mas agora vejo, para a literatura é ótimo! A escrita é leve. Um romance que não precisa ser lido de um dia para o outro. Um texto que nos prende apenas no momento em que o lemos.

No fim de semana, assistimos “O Homem Urso” (Grizzly Man), de Werner Herzog. Outra obra pós-pós.

Bom, a produção foi vendida para uma TV americana como um documentário, segundo fontes confiáveis. Trata da vida de Timothy Treadwell, um ambientalista que se meteu por treze anos num parque no Alasca junto com ursos ferozes para, supostamente, defendê-los. De quem? Não sei. O desfecho é que Treadwell morre, ele e sua namorada Amie Huguenard, comidos por um urso velho, em 2003.

Treadwell levava uma vida junkie, não era exatamente um sucesso com as mulheres, e, por todos os percalços da vida mundana, decidiu se juntar àqueles animais no fim dos anos 1980. Seu nome não era Johnny.

Levava uma câmera com a qual narrava suas “conversas” com seus amigos ursos e com suas queridas raposas. Imagens espetaculares.

As cenas do ataque não foram filmadas. Segundo depoimento de legista (sem nome), a câmera estava na barraca com a lente coberta e, além disso, com um sapato na frente da máquina. De acordo com o filme, o áudio foi gravado - mas, não foi mostrado.

O cineasta alemão, segundo tais fontes confiáveis, é bastante influenciado por Orson Welles. Não é para menos.

Para mim, tudo ali é pura ficção. Basta pegar a cena do capítulo três no DVD e ver que existe uma galera no ponto indicado abaixo.



Assistindo em slow e em zoom, note que uma das pessoas (a que está mais a frente, de camiseta azul) solta um pássaro preto, grande e desajeitado. Treadwell não está sozinho. Portanto, ele nunca existiu! Fantástico.

Logo depois, quando o urso ameaça o atacar, indo a sua direção, não há proporcionalidade. O urso é tão pequeno que se esconde na frente da personagem. A luz do sol está incidindo em ângulos diferentes no urso (que está num fim de tarde) e em Treadwell (que está com o sol mais acima).

Tudo isso é proposital. Quem não vê que o médico legista e os amigos de Treadwell são atores, saem do cinema impressionados. Quem vê que é tudo mentira, também gosta da sacanagem que o diretor aplica nos espectadores. Legal essa era de simulacros, BBBs e etc.

segunda-feira, 3 de março de 2008

Aumento dos preços dos remédios

A população não tem dinheiro para comprar remédio e o trabalhador do setor não recebe aumento real significativo. Enquanto isso, os empresários das farmacêuticas enchem o bolso.

Os números mostram que a população consumiu menos remédio. Por outro lado, as farmacêuticas aumentaram muito seus lucros. O volume de vendas de medicamentos caiu 10,9% de 1997 a 2005. Enquanto isso, o faturamento das farmacêuticas mais que dobrou. (Grupemef)


O povo comprou cada vez menos medicamento porque ficou mais caro. Os laboratórios reajustaram os preços em até 49% no ano passado, segundo o Instituto Brasileiro de Defesa dos Usuários de Medicamentos (IDUM).

Controle

O governo federal controla o preço de uma lista de remédios no Brasil. A medida tem o objetivo de impedir aumentos abusivos e garantir mínimas condições de saúde da população. Cerca de 50 milhões de pessoas não têm renda suficiente para comprar medicamentos e sua única alternativa é serem atendidas pelo SUS. (Valor, Análise Setorial, 2006)

O tabelamento dos preços é feito anualmente em abril, através de um entendimento entre o governo e os empresários do setor.

Data base

Os empresários pressionarão o governo a aumentar o preço dos remédios tabelados. Este ano, usarão as reivindicações dos trabalhadores para justificar os aumentos.

Para repassar para os trabalhadores das farmacêuticas a culpa pelos aumentos dos medicamentos, os empresários do setor tiveram a idéia de mudar a data base. Antes, a data base das farmacêuticas era em novembro, junto com os químicos. Hoje a data base das indústrias farmacêuticas é em 1º. de abril, mês em que as empresas negociam com o governo.

Repasse

Os empresários vão fazer de tudo para aumentar o preço dos medicamentos este ano. Além da mudança da data base, as empresas vão querer repassar ao consumidor o aumento de impostos. O setor pagará PIS e Cofins (impostos vinculados a gastos sociais), a partir do pacote de impostos lançado em janeiro.(Folha de S. Paulo, 05/01/2007)

Quem paga

A população e os trabalhadores da indústria farmacêutica são quem pagam os lucros recordes das empresas no Brasil.

Os trabalhadores do setor não recebem aumentos reais justos e as famílias pagam caro para comprar remédios não encontrados nos postinhos.

A população deveria pressionar o governo para que o aumento de imposto não seja repassado ao consumidor.
E os trabalhadores da indústria farmacêutica, deveriam pressionar seus patrões.

Por que 8 de março?

A luta pela libertação da mulher nasceu junto com a busca da transformação de toda a sociedade pelos trabalhadores, no fim do século XIX e começo do século XX. Em diversos países que iniciavam a industrialização, mulheres e crianças eram a maioria nas fábricas, sob longas jornadas e péssimas condições de trabalho. Greves e manifestações fervilhavam nas cidades americanas e na Europa.

Não há consenso do porquê da escolha de 8 de março. A versão mais disseminada é a de que nessa data, em 1857, 129 tecelãs teriam sido queimadas vivas pelos patrões que as tinham trancado em uma fábrica durante um incêndio, em Nova Iorque. Mas, estudiosos como Naumi Vasconcelos, professora da UFRJ, afirmam que esse incêndio, nessa data, nunca aconteceu.

Em 1914, Clara Zetkin (1857-1933), dirigente do partido Comunista Alemão propôs que 8 de março marcasse a luta contra a dominação das mulheres pelos homens numa perspectiva socialista. A data não remetia a nenhum acontecimento especial. Depois de três anos, em 23 de fevereiro do calendário russo, que correspondia a 8 de março no ocidente, uma greve espontânea das costureiras de Petrogrado foi o estopim da onda que culminou na Revolução Russa. Em 1975, a ONU instituiu 8 de março como o Dia Internacional da Mulher.

Fonte: NPC – Núcleo Piratininga de Comunicação - O Dia da Mulher nasceu das mulheres socialistas, de Vito Giannotti.